segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

ESCOLA DOMINICAL - Conteúdo da Lição 5 - Revista da Editora Betel

A crise de fidelidade na Igreja
Comentarista: Pr. Reginaldo Cruz Ferreira

Texto Áureo

“Assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor.” Ef 1.4

Verdade Aplicada

A crise de fidelidade tem afetado vários setores da Igreja, ocasionando a perda da unidade, dificuldades na adoração e a perda de sua identidade ética e missionária.

Objetivos da Lição

► Apresentar as principais áreas afetadas pela crise de fidelidade na Igreja;
► Compreender a dimensão da crise que se instaurou na tríplice missão da Igreja;
► Conhecer as três características de uma Igreja fiel.

Textos de Referência

Ef 4.20 - Mas não foi assim que aprendestes a Cristo.
Ef 4.21 - se é que, de fato, o tendes ouvido e nele fostes instruídos, segundo é a verdade em Jesus.
Ef 4.25 - Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros.
Ef 4.32 - Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo vos perdoou.

INTRODUÇÃO

O que é ser cristão no mundo, hoje? Parece que está cada vez mais difícil encontrar relação entre aquilo que nós cristãos dizemos crer com o nosso comportamento na vida cotidiana. Fidelidade não é um termo apenas para ser estudado, antes é um padrão para ser vivenciado. O cristianismo, em si, não é apenas uma forma de ver; é sobretudo um modo de viver (1 Pe 1.15-16; 1 Ts 4.7). Uma coisa é dizermos que somos cristãos, outra coisa é agirmos como cristãos. isto tem comprometido não só nossa fidelidade para com Deus como também nossa unidade e comunhão com os santos, bem como a nossa missão e conceito diante da sociedade.

1. AS DIMENSÕES DA CRISE DE FIDELIDADE NA IGREJA


As dimensões da crise de fidelidade na igreja, diz respeito às mais diversas áreas cristãs comprometidas pela falta de observância e prática dos padrões, conceitos e princípios éticos e Bíblicos e o devido cumprimento de sua missão, quer seja na relação com Deus (comunhão, adoração, etc) quer seja no relacionamento com os domésticos da fé (comunhão, educação, visitação, unidade, etc), quer seja no relacionamento com os não cristãos (evangelização, obra social, ética cristã, etc). Entretanto, o comentarista da lição, restringiu-se a falar apenas sobre a dimensão da crise na igreja no seu relacionamento com os domésticos na fé (unidade e comunhão) e no seu relacionamento para o mundo (ética).

1.1. A crise de unidade

A crise de unidade interna na igreja se estabelece pela falta de fé, piedade, temor, amor, integridade de vida e etc (Rm 1. 21-32). A igreja de Jesus Cristo é constituída de homens e mulheres que foram chamados para deixarem o mundo e ingressarem no exército de Deus e uma de suas missões é promover a edificação de seus membros (Ef 4.11-13). Cada cristão é um membro do corpo de Cristo (1 Co 12.27). Cada um tem uma função diferente dentro desse corpo, mas todos trabalhamos em um só benefício: a edificação desse corpo (Ef 4.12-13). Assim todos fazemos parte de uma unidade homogênea. A unidade interna da igreja é imprescindível para que os desafios sejam vencidos e sua missão seja cumprida (1 Co 1.10). Uma igreja aonde a desordem, a confusão, os ressentimentos e a divisão reina certamente não prosperará (Mt 12.25; 1 Co 3.3-5; 5.1-2; 6.1-7). Um reino unido prevalece, mas o mesmo não acontece com um reino dividido, pois a divisão é o primeiro sinal indicador de derrota para qualquer comunidade. Infelizmente, o inimigo vem usando a arma da desunião contra a igreja e muitas, nos dias atuais, tem se assemelhado com a igreja de Corinto (1 Co 3.1-9). Você tem feito sua parte para manter preservado o corpo de Cristo? Ou tem promovido divisões e dissensões entre os irmãos? Roguemos para que a oração sacerdotal de Cristo, em prol da unidade da igreja (Jo 17.11,20,21), se cumpra nos dias atuais e lutemos para que a Palavra e o Espírito Santo de Deus possa trazer renovação na nossa relação, tanto com Deus quanto com os nossos irmãos. Deus quer e exige que o seu povo permaneça unido (1 Co 1.10).

1.2. A crise de comunhão


Comunhão, segundo o Dicionário Teológico, é o "vinculo de unidade fraternal mantida pelo Espírito Santo e que leva os cristãos a se sentirem um só corpo em Jesus Cristo". Seu conceito não é portanto, um mero casuísmo, mas uma prática que leva cada crente a sentir-se vinculado a um só corpo. Portanto, é a comunhão que faz da igreja um organismo espiritual perfeito de homens e mulheres que, apesar de suas procedências étnicas e diversidades culturais, sentem-se e agem como irmãos (1 Co 12.12; Ef 4. 15). A comunhão faz parte dos grandes propósitos de Deus, desde o início da igreja, e sua prática deve se encontrar em pleno vigor na atualidade. A falta dela conduz a igreja a uma crise sem precedentes. A comunhão é algo belo e agradável, razão pela qual o Senhor sempre procura nos conduzir a uma vida de intimidade com Ele. Embora essa comunhão seja algo individual e pessoal o reflexo dela resulta em comunhão coletiva, isto é, com os irmãos. O salmista exclama com entusiasmo: "Oh! quão bom e agradável é que os irmãos vivam em união"! (Sl 133.1). O verdadeiro cristão tem e mantem comunhão com outros cristãos, compartilhando suas alegrias, necessidade, sofrimentos e sentimentos (Rm 12.15; Gl 5.13; 6.1; Jo 13.34; Cl 3.13; 1 Ts 4.14; Tg 5.16). Somente uma igreja que experimenta a verdadeira comunhão com Cristo e com os seus membros em particular, sobreviverá neste tempo de crise. Precisamos pois ser unidos e solidários, amando-nos uns aos outros, como filhos do mesmo pai, resgatado pelo mesmo salvador e conduzidos pelo mesmo Espírito (Ef 4.3-4).

1.3. A crise ética

A ética da Igreja deve basear-se no caráter de Deus, segundo o que está revelado na Bíblia. O comportamento ético da igreja perante o mundo deveria ser um referencial de conduta para todos os indivíduos e instituições humanas existentes, mas infelizmente nossa realidade atual é outra. Ao invés de uma missão ética com base nos princípios que levam os crentes a um viver pleno de virtudes, valores morais e espirituais, segundo as Escrituras, o que vivenciamos são as inversões destes valores. Valores, estes, que estão sendo substituídos por valores efêmeros deste mundo. Não se buscam mais o Reino de Deus em primeiro lugar como Jesus ordenou (Mt 6.33; Lc 6.46-49). Lamentavelmente, os crentes da igreja atual estão engajados na busca pela satisfação plena aqui na terra, e ainda, usa o Evangelho como meio de vida e fonte de lucros e vantagens. Parece absurdo, mas as coisas de Deus estão sendo vendidas, negociadas sem nenhum temor. Desprezar os princípios e valores éticos e morais é um grande equivoco, principalmente, da parte dos líderes. Quando apoiamos ou ficamos do lado de pessoas sem os pré-requisitos requeridos pela Palavra de Deus, estamos dizendo que somos iguais a eles, e aí já não é somente inversão, mas falta de dignidade cristã.

2. A CRISE DE FIDELIDADE NA MISSÃO DA IGREJA

Abarcar um estudo sobre a missão da igreja em sua totalidade, não é uma tarefa muito fácil, daí existir muitos posicionamentos quanto à classificação de sua missão. Basicamente, podemos dizer que a igreja existe para: adorar a Deus (Is 43.21; Sl 29.2; 95.6; Mt 4.10; Jo 4.24), levar o conhecimento Dele às nações (Mt 28.19; Mc 16.15-20) e promover a edificação e o crescimento de seus membros (Ef 4.11-16). Em outras palavras a missão da igreja se resume em três aspecto distinto: Sua missão para com Deus, sua missão para consigo mesma e sua missão para com os descrentes. Vale aqui ressaltar que o cumprimento delas devem ocorrer de forma simultânea. Enquanto adora a Deus, edifica-se a si mesma em amor e também expande sua esfera de ação para todas as direções, através do evangelismo.

2.1. Sua Missão para com Deus

Basicamente a missão da igreja para com Deus se constitui na prática do serviço e adoração que prestamos a Deus. Apesar de serem distintos, "Servir a Deus" tem uma relação direta com o "adorar a Deus". O serviço que fazemos para Deus por amor e gratidão é uma forma de adoração. Entretanto, nosso comentarista, coloca a adoração como sendo essencialmente a missão da igreja para com Deus. Nas Escrituras muito se diz sobre o serviço e a adoração prestada ao Deus Criador. Em linhas gerais, o termo "adoração" tem o sentido de "chegar-se a Deus de modo reverente, submisso e agradecido, a fim de glorificá-lo (Sl 95.6; 2 Cr 29.30; Mt 2.11). O homem foi criado para a glória de Deus, e, Ele espera receber de modo livre e espontâneo o devido louvor e serviço de sua criação. Com a queda de Adao e Eva, esse senso de adoração foi completamente desvirtuado. Mas Deus providenciou a restauração da humanidade mediante a revelação de Seu Filho Jesus Cristo. O apóstolo Pedro em sua primeira epistola indica que o crente em Jesus Cristo é conhecido primeiramente como adorador (1 Pe 2-10). Deus é infinitamente sublime em majestade, poder, santidade, bondade, amor, etc. Por isso, devemos adorá-Lo e serví-Lo com toda reverência.

2.2. Sua Missão para consigo mesma

Podemos dizer que a missão da igreja para consigo mesma visa entre outras coisas a formação e edificação do povo de Deus. Deus quer que a igreja se esforce e forme no cristão o caráter de Cristo, deixando-o cada vez mais semelhante a Ele. Na conversão, Ele não deseja que sejam mudados apenas os valores espirituais das pessoas que se regeneram, mas também dos conceitos e prioridades mediante o estudo da Sua Palavra (Jo 17.17). Ele quer que se mude o caráter dela, tratando-as mediante o exemplo e o ensino da Palavra, a qual serve como modeladora. O caráter cristão é fundamental para que os crentes possam perseverar e continuar na jornada cristã. De acordo com o apóstolo Paulo, Jesus quer levantar uma igreja gloriosa e santa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante (Ef 5.26-27); edificada com ouro, prata e pedras preciosas (1 Co 3.11-15); até que todos cheguemos à medida da estatura da plenitude de Cristo (Ef 4.13). A não observância desse principio, talvez, seja a maior responsável pela crise de fidelidade existente na igreja dos dias hodiernos. Entretanto, a igreja que observa esse importante princípio, certamente se tornarão um povo diferente, fiel, de boas obras, humildes, pacientes, mansos, justos, generosos, sinceros, bons, felizes, honrados, íntegros e etc (Tt 2.14).

2.3. Sua Missão para com o mundo

A missão da igreja para com o mundo é realizada através da propagação do evangelho. Essa é uma missão que ela jamais poderá negligenciar. A igreja de Cristo não pode se enclausurar dentro de quatros paredes, mas deve cumprir a sua missão para com os descrentes, indo buscá-lo onde quer que estejam (Mt 28.19; Mc 16.15-20). O sucesso da igreja não pode ser avaliados por suas atividades filantrópicas, educacionais e materiais, mas por seu alcance evangelístico. Todas as atividades dentro da igreja são importantes, mas nenhuma é tão prioritária quanto o da evangelização. As Boas Novas do Evangelho deve chegar a todas as extremidades da terra, pois a salvação que Cristo consumou no calvário visa toda a humanidade (At 1.8; Mt 28.19). A propagação do Evangelho é a melhor maneira de fazer a humanidade conhecer a Deus, sua vontade e sua graça salvadora. A igreja precisa buscar e resgatar sua missão.

3. AS CARACTERISTICA DE UMA IGREJA FIEL

Além de uma igreja frutífera, solidária e missionária outra caracteristica também importante para determinar uma igreja fiel é que ela precisa ter um entendimento correto do Evangelho e manter-se fundamentada na Palavra de Deus (Ap 14.12; Mt 24.45-46; Lc 16.10; Ap 3.8). Igreja fiel e verdadeira é determinada, principalmente, pela base doutrinária que ela mantem em relação a Cristo e à Palavra de Deus, isto é, suas doutrinas devem estar de acordo com as ordenanças de Deus (1 Pe 4.11). A única igreja da Ásia a receber somente elogios da parte de Jesus, foi a Igreja de Filandélfia (Ap 3.7-13), mas o que caracterizava essa igreja, residia no fato deles guardarem a Palavra. A Igreja de Filandélfia era uma igreja fiel, pois ela se achava fielmente submissa à Palavra de Deus. Pregavam, ensinavam, obedeciam, viviam e compartilhava. Não se afastaram da Palavra (Ap 3.8,10).

3.1. Uma igreja frutífera

Uma igreja frutífera é uma igreja cujo os seus resultados espirituais são oriundos de uma vida cristã fundamentada na Palavra de Deus (Lc 6.43-45). É uma igreja viva, autêntica, ativa, perseverante, graciosa e relevante, que glorifica a Deus e faz discípulos maduros e reprodutivos. Uma igreja onde a adoração é genuina, a evangelização é um estilo de vida, o discipulado é assumido por todos, a comunhão é sentida a cada semana e o serviço é realizado com base nos dons espirituais. Esta é a correta visão de uma igreja frutífera. Cada discípulo um cristão frutífero, eis o ideal das Escrituras (Sl 92.12-14).

3.2. Uma igreja solidária

Uma igreja solidária é uma igreja que está sempre procurando ajudar alguém que precise, quer seja para com os domésticos na fé, quer seja para com os descrentes. A solidariedade era constante na igreja primitiva (At 2.45). De nada adianta a igreja pregar a fé se não tiver obras (Tg 2.14-26), pois embora as obras não garantam a salvação (Ef 2.8-9), nós fomos chamados em Cristo para boas obras, às quais Deus de antemão preparou para que andassemos nelas (Ef 2.10). Ajudar o próximo é uma marca do caráter cristão que nunca pode ser esquecida na igreja. Quando a igreja é solidária, seu testemunho fala mais alto que sua pregação.

3.3. Uma igreja missionária

A igreja de hoje esta ligada à igreja primitiva, não apenas por suas raízes históricas, mas também pela responsabilidade de evangelizar os povos de todas as nações (At 1.8). Nada, a não ser a evangelização do mundo, justifica ainda a presença da igreja na terra. Muitos pensam que a missão da igreja está restrita aos limites da cidade em que ela está localizada, mas isto não é verdade. A extensão da responsabilidade da igreja é grande em sua amplitude. Jesus antes de ser assunto ao céu, disse: "Ide, ensinai todas as nações..." (Mt 28.19). Todos os membros da igreja devem ser treinados para serem testemunhas de Jesus até os confins da terra (At 1.8). A realidade é que nem todos podem fazer isto, mas todos devem está comprometidos e com o coração voltado para esta tarefa tão grandiosa que Cristo confiou a nós (Jo 15.16). Igreja que não evangeliza não é igreja verdadeira e não está apta para o reino de Deus (Lc 9.62).

CONCLUSÃO

Para vencermos a crise de fidelidade instaurada na igreja dos dias atuais, precisamos por em prática nosso comprometimento com o reino de Deus. O grande problema que a igreja enfrenta nos dias atuais é o pequeno envolvimento dos fiéis para realizar o trabalho de Deus na terra. Há muito trabalho para ser feito, grande expectativa para ser atendida e pouca participação da maioria. Precisamos buscar nossas origens, recuperar nossa identidade e redescobrir nosso padrão de viver segundo os moldes bíblicos.

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