domingo, 3 de julho de 2016

Editora Betel - Lição 1 Mateus: o Evangelho do Reino

Aula para o dia 3 de junho de 2016
Mateus uma visão panorâmica do Evangelho do Rei. Ev. Cido Silva
 
Texto Áureo
Mateus 4.23
E percorria Jesus toda a Galileia, ensinando nas suas sinagogas e pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo.
Verdade Aplicada
O evangelho de Mateus demonstra que o Senhor Jesus é o Rei prometido previsto no Antigo Testamento.
Objetivos da Lição
Ensinar os elementos usados por Mateus para a redação de seu evangelho;
Mostrar o que Mateus tinha em mente quando reuniu todo o material que comporia o seu evangelho;
Apresentar características peculiares ao evangelho de Mateus.
Glossário
Concatenado: Encadeado; ligado;
Deturpação: Desfigurar, estragar, corromper, viciar;
Vassalo: Súdito; príncipe tributário de outro subordinado.
Leituras complementares
Segunda Is 53.5
Terça Mt 1.1
Quarta Lc 23.2
Quinta Jo 1.41
Sexta Jo 4.25
Sábado At 18.28
Textos de Referência.
Mateus 4.23-25
23 E percorria Jesus toda a Galileia, ensinando nas suas sinagogas e pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo.
24  E a sua fama correu por toda a Síria, e traziam-lhe, todos os que padeciam, acometidos de várias enfermidades e tormentos, os endemoninhados, os lunáticos, e os paralíticos e ele os curava.
25 E seguia-o uma grande multidão da Galileia, de Decápolis, de Jerusalém, da Judéia e de além do Jordão.
Hinos sugeridos.
121, 154, 200.
Motivo de Oração
Ore para que a Igreja mostre ao mundo a esperança que há em Cristo.
Esboço da Lição
Introdução
1. Quem foi Mateus?
2. As origens e o propósito do evangelho
3. Características gerais do evangelho
Conclusão
Introdução
Teremos ao longo desta primeira lição a fascinante oportunidade de estudar e meditar no evangelho de Mateus, também denominado: evangelho do Reino.
1. Quem foi Mateus?
Tradicionalmente, Mateus é o autor do primeiro evangelho do Novo Testamento, como se configura em nossas bíblias. Seu nome significa “dom de Deus”. Ele foi cobrador de impostos antes de se converter em discípulo do Senhor Jesus. Ele apresenta Jesus e Seus discursos da maneira mais pedagógica possível. O seu evangelho é o do Reino dos Céus.
1.1. Mateus, um coletor de impostos.
Mateus trabalhava na coletoria de impostos para o governo romano (Mt 9.9), um cargo publico. Por esse motivo, ele era chamado de “o publicano” (Mt 10.3). Devemos compreender que cobrar impostos para um império pagão e opressor era considerado ato de traição. Daí o motivo de os publicanos serem objetos de ódio dos judeus em geral. Mas, ao que parece, Mateus não era um publicano comum, pois logo que passou a seguir a Jesus Cristo muitos publicanos foram ouvi-lo com apreço (Mt 9.9-13).
Explique para os alunos que Mateus não era um publicano comum. Muito provavelmente, ele foi um chefe de recebedoria de impostos. Isso significa que ele tinha outros publicanos os quais chefiava. Comente com os alunos que, porém, se isso não for verdade, ficava claro que de qualquer maneira Mateus era um homem de grande influência em seu setor de trabalho. Isto porque, ao seguir o Senhor Jesus, muitos se dirigiam para ouvir o Mestre de Nazaré. Dessa maneira, Jesus teve que defendê-los das críticas farisaicas que os taxavam como pecadores e traidores da nação, ou seja, pessoas indignadas de se buscar convivência (Mt 18.17; 21.31).
1.2. Mateus, um dos doze apóstolos.
Ao atender o chamado do Senhor Jesus, Mateus veio a ser um dos doze apóstolos. Ele é citado em parceria com Tomé quando enviado a evangelizar “as ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 10.3: Mc 3.18; Lc 6.15). Os evangelhos não demonstram grande participação de Mateus no dia a dia do ministério do Mestre. Isso, porém, não significa que ele não fosse participativo. Pelo que foi visto acima, ele conduziu várias almas ao Senhor Jesus, assim como Tomé, seu companheiro, que tinha vários condiscípulos (Jo 11.16). Originalmente, Mateus é chamado de Levi filho de Alfeu, no evangelho de Marcos e Lucas (Mc 2.14-17; Lc 5.27-31).
Explique para os alunos que não se sabe o porquê Mateus é chamado de Levi primeiramente. Os fatos narrados por marcos e Lucas em relação à conversão de Levi são os mesmos contados no primeiro evangelho. Tiago também era chamado de filho de Alfeu, mas isso não significa que Levi e Tiago fossem irmãos. Caso fossem, isso seria apontado mais claramente, assim como no caso de Tiago e João, filhos de Zebedeu. Peça para os alunos notarem como uma pessoa odiada e desprezada pode se tornar-se tão útil ao entregar-se ao Senhor Jesus Cristo. Essa discussão sobre o nome (Mateus ou Levi) e sobre ser ou não irmão de Tiago é, portanto, uma discussão inócua, nada acrescenta.
1.3. Mateus, um evangelho precioso.
Sem dúvida, o evangelho de Mateus é de inestimável valor. Não é à toa que o evangelho de Mateus foi aceito e popularizado pela Igreja Primitiva. O fato de o escritor ter pertencido ao grupo dos doze apóstolos, ser uma testemunha ocular de boa parte dos fatos e ter um  estilo didático de escrever contribuiu para que essa obra fosse tão amplamente lida, aceita e amada. Alguns atestam que este evangelho fora primeiramente escrito em aramaico e depois traduzido para o grego. Infelizmente, hoje não restam documentos que comprovem isso. Todavia, o certo é que desde bem cedo a Igreja identificava o escrito como o “Evangelho de Mateus”.
Esclareça para os alunos o que tornou o evangelho de Mateus tão precioso. Convença-os que o fato de Mateus ser uma testemunha ocular contribuiu para a aceitação e popularidade de sua obra entre as igrejas dos primeiros séculos. Comente com os alunos que o apóstolo Mateus se ocupou em escrever de modo didático, isto é, de maneira, que facilitasse a assimilação do seu conteúdo. Com essa didática, o livro favorece inclusive a memorização do seu conteúdo.
2. As origens e o propósito do evangelho.
As questões apresentadas a seguir quanto ao Evangelho são esclarecedoras para o importante estudo das Escrituras Sagradas. Veremos que, embora em nossas bíblias o evangelho de Mateus seja o primeiro do Novo Testamento, ele não foi de fato o primeiro evangelho a ser escrito.
2.1. Data.
O evangelho de Mateus foi escrito depois do de Marcos. A data provável para que o evangelho de Marcos tenha sido escrito foi 50 d.C. ou pelo menos uma data antes do ano 60. Enquanto que o de Mateus foi escrito por volta de 70 d.C., logo após a queda do templo de Jerusalém. É importante compreender que essas datas não são categóricas, mas apenas aproximadas. Porém é levado em consideração vários depoimentos dos escritores dos primeiros séculos chamados de “pais da Igreja”. Mesmo assim, não se tem a certeza de em qual ano foi escrito este maravilhoso evangelho.
Mostre para os alunos que o evangelho de Mateus tem credibilidade total por parte dos cristãos desde os primórdios da Igreja cristã. Diferente de outros que, por exemplo, não entraram para o Cânon (rol) dos livros considerados inspirados, tais como o evangelho de Pedro, o evangelho de Tomé, etc.
2.2. Destinatários.
O livro de Mateus foi escrito para a cristandade em geral, porém, quando o autor o escreveu, ele pensou primeiramente nos cristãos judeus, mas não deixou de fora os gentios, visto que a essa época o cristianismo já alcançara projeção no Império Romano a ponto de sofrer perseguição por parte de Nero. Se considerarmos o fato de que Mateus evangelizou prioritariamente os judeus após a ascensão do Senhor Jesus, o que, segundo alguns estudiosos, ele fez em um trabalho de quinze anos, não é de causar admiração que ele tenha escrito esse evangelho como um documento mostrando quem era Jesus de Nazaré.
Mostre para os alunos que, além de evangelizar os judeus por longos quinze anos, Mateus preocupou-se em deixar um legado escriturístico. Comente com eles que o fato dele ter já desempenhado a sua missão evangelizadora entre eles talvez fosse o suficiente. Todavia, o senso de responsabilidade para com aquelas almas o levou mais além, isto é, levou-o a escrever o evangelho.
2.3. O propósito.
O evangelho de Mateus cumpre vários propósitos simultaneamente, pois trata-se prioritariamente de um registro histórico do ministério do Senhor Jesus e em suas linhas o autor mostra que Jesus é o Rei e Messias prometido. Porém, a julgar o contexto em que foi escrito, pode-se concluir que este evangelho foi escrito para não ficar apenas na tradição oral, porque esta poderia sofrer alterações com o tempo e adquirir versões corrompidas da pessoa do Senhor Jesus, ou versões do propósito e de Seu trabalho profético e messiânico. Dessa maneira, o registro fiel e concatenado dessas coisas contribuiria no sentido de impedir tais deturpações até certo ponto, visto que não impediria o surgimento das versões irreais da pessoa de Jesus.
Explique para os alunos que vários anos se passaram até que Mateus resolveu escrever o seu evangelho. Mostre para eles que a preocupação do escritor era apresentar o Senhor Jesus de acordo com os fatos verdadeiros, pois com o tempo poderia surgir um fantástico e lendário Jesus nos contos populares que não correspondesse com a realidade do Mestre de Nazaré. Comente com os alunos que o apóstolo Mateus não poderia ignorar a capacidade da mente humana de deturpar os fatos e nem ignorar a capacidade de Satanás inspirar os corações a fazerem isso. Isso é ilustrado com as muitas discussões quanto à pessoa e natureza do Senhor Jesus Cristo na época dos pais da Igreja.
3. Características gerais do evangelho.
Vimos o cuidado de Mateus quanto a preservação dos fatos em torno da pessoa de Jesus. Mas, quem era Jesus e o que pretendeu? Outrossim, o que se destaca mais no evangelho de Mateus em relação a pessoa do Senhor Jesus? É o que veremos a seguir.
3.1. Contexto histórico inicial do evangelho.
O contexto histórico apresentado por Mateus para a pessoa do senhor Jesus situa-se no tempo de Herodes, o Grande (Mt 2.1). Nessa época, a política de Israel estava sob a sua responsabilidade, porém ele era rei vassalo de Roma, governada pelo imperador César Augusto, cujo nome verdadeiro era Gaio Júlio Cesar Otaviano. O Senhor Jesus nasceu num tempo chamado de pax romana (paz romana), porém Paulo trata essa época como “a plenitude dos tempos Deus” Gl 4.4).
Informe aos alunos que o rei Herodes, o Grande, era um homem cruel, bárbaro e sanguinário. Conduza os alunos ao entendimento de que Jesus nasceu num contexto histórico real. A partir da pessoa do nosso Senhor Jesus Cristo, a história universal foi mudada e reescrita, tendo como pano de fundo o vasto Império Romano e um reino vassalo a Roma. Esclareça para os alunos que Jesus Cristo apareceu num tempo determinado por Deus, que é o ponto central de toda a história (Gl 4.4).
3.2. A apresentação de Jesus.
Nascido em Belém, mas morando em Nazaré, estava um jovem carpinteiro. Ele tinha vários irmãos e irmãs e vivia de maneira comum a seus compatriotas, até que, de repente, ele se destaca de todos. O moço da carpintaria desponta-se na região e em todo o Israel com uma sabedoria e milagres jamais vistos. Então, quem é Ele de fato? Enquanto Marcos procurou enfatizar o Jesus operador de milagres e Messias, Mateus em seu evangelho vai ressaltar os ensinos do Mestre Nazaré. Ele apresenta Jesus como o Messias da linhagem davídica que haveria de vir, o profeta maior do que Moisés.
Desperte a atenção dos alunos para o fato de que o evangelho de marcos já circulava em diversos lugares, inclusive Roma. Enquanto Marcos apresenta Jesus como o Messias e operador de milagres, Mateus apresenta-o ressaltando os Seus ensinos. É claro que há vários registros de milagres em Mateus, mas faça os alunos perceberem a genealogia de Jesus, as abundantes citações do Antigo Testamento e a maneira essencialmente pedagógica de Seus ensinos, a começar pelas bem-aventuranças. Enfim, nele Jesus é o Filho de Deus, o verdadeiro Rei prometido.
3.3. Questões escatológicas.
O reino dos céus apresentado por Mateus tem dois aspectos gerais: o presente e o futuro. No aspecto futuro, descrito em Mateus 24, o seu propósito em mente ao narrar acontecimentos futuros é falar sobre a segunda vinda de Jesus. No denominado “o sermão do templo”, Mateus narra situações que já sucederam, como a queda do templo de Jerusalém e outras que ainda sucederão. Porém, toda a mensagem é em si uma advertência para que os discípulos estejam atentos, sempre em oração e vivendo em constante cuidado. Cuidado esse para que não fossem enganados e também cuidado consigo mesmos para que não se entregassem a todo o tipo de dissoluções.
Mostre para os alunos os fatos que já se cumpriram, os que estão se cumprindo e outros que ainda se cumprirão dentro do sermão do templo, descrito em Mateus 24. Comente com os alunos, por exemplo, os fatos ligados aos falsos profetas e os falsos ensinos que se cumpriram, mas que continuam a se cumprir até atingir uma escalada universal, concluída somente na volta do Senhor Jesus Cristo. Merece ser especialmente esclarecido para os alunos que todos os sinais descritos no capítulo 24 de Mateus apenas criam o ambiente para a manifestação do grande sinal, isto é a pregação do Evangelho até os confins do mundo (Mt 24.14; 28.18-20). Então virá o fim.
Conclusão.
O Reino dos céus é apresentado por Mateus de forma surpreendentemente didática, convincente e com ampla aceitação. Sem dúvida, trouxe um grande legado não só para a cristandade, mas ao mundo inteiro onde o evangelho chegou.
Questionário.
1. De que maneira o Senhor Jesus é apresentado por Mateus?
R: Jesus é o Rei e Messias prometido (Mt 11.3).
2. O que fazia Mateus antes de seguir Jesus?
R: Era coletor de impostos (Mt 9.9).
3. O menino Jesus nasceu no tempo de que rei?
R: No tempo do rei Herodes, o Grande (Mt 2.1).
4. Qual era a profissão de Jesus?
R: Jesus era carpinteiro (Mc 6.3).
5. Como é chamado o sermão profético de Jesus em Mateus 24?
R: É chamado de “o sermão do templo” (Mt 24).
Fonte: Revista de Escola Bíblica Dominical, Betel, Edição Histórica, Jovens e Adultos, edição do professor, 3º trimestre de 2016, ano 26, Nº 100, Mateus uma visão panorâmica do Evangelho do Rei.

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