quinta-feira, 19 de abril de 2018

Editora Betel - Lição 4 Disciplina e o processo educacional de Deus.

Aula para domingo, dia 22 de abril de 2018.
Editora Betel - Lição 4 Disciplina e o processo educacional de Deus.

Texto Áureo
Hebreus 12.6
“Porque o Senhor corrige o que ama e açoita a qualquer que recebe por filho”.

Verdade Aplicada
A disciplina faz parte do processo de aperfeiçoamento do discípulo de Cristo, enquanto viver na terra.

Objetivos da Lição
Explicar o que é disciplina à luz da Bíblia;
Mostrar a autoridade bíblica para a aplicação de disciplina por parte da Igreja;
Ensinar que a vida do povo de Deus é uma vida que envolve disciplina.

Glossário
Autodisciplina: Correção e regulação do modo de vida, de trabalho, ou normas de moral que alguém impõe a si mesmo;
Correlato: Palavra cujo sentido tem relação com o significado de outra;
Insubordinação: Falta de subordinação; oposição contra autoridade.

Leituras complementares
Segunda Js 7.1-26
Terça 1Sm 3.12-13
Quarta Sl 119.67, 71
Quinta Mt 18.15-18
Sexta At 5.1-11
Sábado 2 Tm 4.2

Textos de Referência.
Hebreus 12.7-8, 10-11
7 Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque que filho há a quem o pai não corrija?
8 Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois, então, bastardos e não filhos.
10 Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade.
11 E, na verdade, toda correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas, depois, produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela.

Hinos sugeridos.
77, 141, 151

Motivo de Oração
Ore a Deus pelo seu pastor e por tantos outros que contribuíram com a sua vida cristã.

Esboço da Lição
Introdução
1. Disciplina – o que é isto?
2. A Igreja e a disciplina.
3. É preciso lidar com a disciplina.
Conclusão

Introdução
A disciplina faz parte do processo de crescimento, amadurecimento e aperfeiçoamento do discípulo de Cristo. Trata-se de uma ação com propósitos bem definidos (Hb 12.10). É feliz aquele que se submete à disciplina do Senhor.

1. Disciplina – o que é isto?
Apesar de ser bíblico, disciplina é um dos assuntos pouco enfatizados nos dias de hoje. A questão é que, quando o púlpito da igreja silencia, muitos começam a agir de acordo com seus próprios pensamentos e como melhor convém a cada um. Então, surgem diversos equívocos, como: “Só presto contas a Deus”; “Sou assim mesmo”; “Deus conhece minhas fraquezas” ou “conheço pessoas vivendo em pecado”, entre outros. Assim, nesta lição refletiremos esse tema a partir da Bíblia, a revelação de Deus para nós e a autoridade fundamental sobre a qual a Igreja deve moldar sua fé (Is 8.20).

1.1. Disciplina e a sua necessidade.
Inicialmente, é interessante refletir no texto de Hebreus 12.5-11. O escritor no capítulo 11 apresenta diversos exemplos de pessoas que, firmadas na fé, perseveraram, mesmo sendo provadas, sofrendo, perseguidas, e até perdendo ávida. Assim, também, nós somos chamados para perseverarmos na jornada cristã, mantendo nosso foco em Jesus Cristo e removendo qualquer coisa que nos impeça ou atrapalhe na continuidade da caminhada como discípulos de Cristo. A expressão “deixemos” (Hb 12.1) indica um aspecto da vida disciplinada do discípulo do Senhor: a autodisciplina.

É uma luta. Não podemos desanimar e desistir, afinal não chegamos, ainda, ao ponto de combater até a morte, como muitos no passado e nos dias de hoje (Hb 12.1-4). Nesse contexto o escritor aborda a questão da disciplina na vida do discípulo do Senhor, mostrando que ela contribui para que cresçamos espiritualmente e que sejamos participantes da santidade de Deus. Pois Deus nos ama, nos recebe e trata como filhos. Ele quer que vivamos e sejamos santos (Hb 12.6-7, 9-10).

1.2. Disciplina e os diferentes termos.
Somente no texto de Hebreus 12.5-11 encontramos dez vezes diversos termos correlatos: correção, repreensão, disciplina. A palavra grega é “paideuõ”, admitindo vários sentidos: “treinar crianças”; “ensinando”; “castigando”; “disciplina”; “correção”; “educar para a vida”. Assim, o entendimento da disciplina, a partir dos diversos sentidos admitidos na Bíblia, nos ajuda a corrigirmos pensamentos equivocados e ideias que possam causar resistência a este instrumento utilizado no processo de aperfeiçoamento dos membros do corpo de Cristo.

Segundo Russel Shedd: “A disciplina, como os vocábulos cognatos ‘discípulo’ e ‘fazer discípulos’, tem sua ideia original, como a raiz no grego indica, na prática da antiguidade de um aluno seguir um mestre ou pensador. Neste círculo de ideias, a disciplina dá a impressão de formar uma pessoa em conformidade com o caráter e mente do mestre”. 

1.3. Disciplina e a santidade de Deus.
“Para sermos participantes da sua santidade” (Hb 12.10). Este texto indica o propósito de Deus ao aplicar a correção em Seus filhos. Precisamos de correção, repreensão e disciplina, pois fomos chamados por Deus para sermos santos, contudo ainda estamos propensos às práticas do “velho homem”. Assim, por intermédio da correção e instrução, o processo educacional de Deus vai sendo aplicado em nós (2Tm 3.16; Hb 12.11).

É nítido em toda a Bíblia a insistência divina quanto a santidade (Êx 19.6; Lv 19.2; 1Ts 4.3, 7; Hb 12.14; 1Pe 1.15; 2.9). A palavra “igreja”, do grego “ekklesia”, indica “um chamado para fora”, ou seja, um povo separado para Deus. A disciplina visa os membros da Igreja, os filhos de Deus, chamados e separados do mundo para ser o povo de Deus. Portanto, a aplicação da disciplina é feita aos que já pertencem à família de Deus (Hb 12.7; 1Co 5.12-13). A Bíblia diz que o ímpio aborrece a correção (Sl 50.17), pois não deseja interferência em seu modo de viver descompromissado com a vontade de Deus, mas o que é filho não despreza (Pv 3.11).

2. A Igreja e a disciplina.
É bíblica a aplicação de disciplina por parte da Igreja? Muitos associam o uso da disciplina pela Igreja com ausência de amor e misericórdia. Há os que acreditam que somente Deus ou o próprio membro do Corpo de Cristo aplica a disciplina a si. Assim, vemos que há necessidade de instrução bíblica também sobre isso, pois, caso contrário, a história se repetirá (ou será que já está se repetindo em alguns lugares?): “porém cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos” (Jz 21.25). A reflexão desse tema passa por entendermos a doutrina bíblica referente à Igreja.

2.1. Igreja – origem e natureza.
Na Teologia Sistemática a doutrina da Igreja é chamada de Eclesiologia, referente à palavra grega usada no Novo Testamento. Contudo, este termo já era usado para se referir a um ajuntamento de pessoas, como em Atos 19.32. Sendo assim, não basta entender Igreja como um grupo, um povo ou um ajuntamento, pois Igreja não é clube ou associação para irmos algumas vezes, aproveitando o tempo livre. Quando Jesus fala: “edificarei a minha igreja” (Mt 16.18), fica claro que o verdadeiro significado de Igreja não está no ajuntamento mas em Cristo, que é o fundador e o fundamento (1Co 3.11), a cabeça (Ef 1.22). A Igreja é de Deus (At 20.28; 1Pe 2.9-10).

Encontramos na Palavra de Deus diversas figuras que descrevem a Igreja do Senhor no Novo Testamento (corpo, edifício, noiva, entre outros), bem como as ordenanças (batismo em águas e Ceia do Senhor), missão e organização, além de outros aspectos. Assim sendo a Igreja é ao mesmo tempo um organismo e uma organização (este último é o aspecto visível, são as igrejas locais: Atos 11.22; 13.1; Gálatas 1.22; 1 Coríntios 16.19). É bíblico o fato de Deus escolher, vocacionar e capacitar homens e mulheres para conduzirem a igreja aqui na terra (Ef 4.11-16; 1Tm 3.1-13; Tt 1.5-11).

2.2. A Igreja e o uso da disciplina.
Foi o próprio Jesus Cristo quem primeiro tratou sobre a igreja lidar com a aplicação da disciplina (Mt 18.15-19). Há casos de membros da igreja que são disciplinados diretamente por Deus (1Co 11.30-32). Porém, também é bíblica a autoridade da igreja para aplicar disciplina (Mt 18.15-19; Rm 16.17-18; 1Co 5; Gl 6.1; 2Ts 3.14-15; 1Tm 5.20; Tt 1.10-11). Infelizmente, vivemos num tempo de muito individualismo e insubordinação. Além disso, em muitas igrejas locais não se exerce mais a autoridade concedida por Deus para aplicar a disciplina.

Evidentemente, devemos, como Igreja, agir tendo em mente os princípios bíblicos que norteiam o uso da disciplina, evitando assim, tanto a negligência como o abuso. Sobre isso, assim escreveu Russel Shedd: “Não disciplinar os errados significa correr o risco de cair na posição de confundir a igreja com o mundo e vice-versa. Mas a disciplina rigorosa incorre num perigo igualmente sério de cisma, dividindo irmãos e destruindo o ‘santuário de Deus’”.

2.3. Os cuidados e objetivos na aplicação da disciplina.
Tendo a consciência de que encontramos na Bíblia instruções para orientar a igreja em questões fundamentais de disciplina, é importante, também, conhecermos os cuidados e os objetivos na aplicação da mesma. O Senhor Jesus usou uma expressão muito interessante ao instruir sobre como lidar com o pecado de um irmão, que retrata bem o objetivo da disciplina: “ganhaste a teu irmão” (Mt 18.15).

Paulo escrevendo a Timóteo declara o objetivo do corretivo aplicado a dois homens: “para que aprendam” (1Tm 1.20). A Igreja, ao tratar uma pessoa surpeendida em alguma ofensa, deve agir: “encaminhai o tal” (Gl 6.1). Esta palavra no original grego, usada em sentido figurado, tem o significado de “restaurar, endireitar”. Tratar o faltoso, admoestando-o (2Ts 3.15), ou seja, “advertir ou reprovar gentilmente”. É preciso também, atentarmos para alguns cuidados quando os membros da igreja estiverem envolvidos na aplicação da disciplina: 1) Agir com humildade e atenção consigo mesmo para não sermos tentados (Gl 6.1); 2) Amor, mansidão e capacitação para ensinar (2Tm 2.24-26); 3) Tendo em mente que se trata não de um inimigo, mas um irmão (2Ts 3.15). 

3. É preciso lidar com a disciplina.
O povo de Deus, representado no Antigo Testamento por Israel e no Novo Testamento pela Igreja, por toda a Bíblia é alvo de atitudes de disciplina por parte de Deus, da própria pessoa e da comunidade. Assim, aprendemos que a vida do povo de Deus é uma vida que envolve disciplina, pois “Deus não é Deus de confusão” e se requer que tudo seja feito com ordem e decência (1Co 14.33, 40). 

3.1. A autodisciplina.
Durante muito tempo a maior ocupação da medicina foi a identificação e a cura das doenças. Hoje é notória a ênfase na prevenção principalmente com a adoção de hábitos de vida saudáveis. O mesmo princípio se aplica ao cuidado com a vida do discípulo de Cristo, que envolve não apenas o corpo, mas, também, o aspecto espiritual. São diversas as admoestações da Palavra de Deus quanto ao cuidado conosco mesmo (At 20.28; 1Co 9.24-27; 2Co 13.5; Ef 6.11, 13; 1Tm 4.16; Jd 20.21).

A autodisciplina consiste na consciência (iluminada e despertada pela Palavra de Deus) e em atitudes. Não basta identificar os erros, é necessário agir para corrigir e prevenir. É um verdadeiro exercício espiritual (1Tm 4.7-8). Leitura bíblica e oração diárias, frequência à Escola Bíblica Dominical e aos cultos de ensino, participação na Ceia do Senhor, envolvimento nas atividades da igreja local, constante vigilância, prática do jejum com propósitos específicos, renúncia, são alguns dos exemplos de ações de autodisciplina, que compõem o processo de prevenção.

3.2. Sendo disciplinado.
Normalmente, quando não priorizamos a autodisciplina, acarretando, assim, descuido conosco mesmo, se faz necessário sermos alvos de disciplina, seja diretamente da parte de Deus ou por intermédio da igreja. Daí a importância de conhecermos este assunto bíblico, seu significado e propósitos, para que saibamos lidar com maturidade e, assim, prosseguirmos até que cheguemos “à medida da estatura completa de Cristo” (Ef 4.13).

Como membros do Corpo de Cristo, devemos nos submeter às autoridades da igreja do Senhor, enquanto permanecerem fiéis às Sagradas Escrituras. Conforme encontramos na Palavra, o Senhor usa pessoas na igreja como instrumentos para que sejamos tratados, visando o nosso aperfeiçoamento (Ef 4.11-16). Então, devemos buscar no Senhor humildade para nos submetermos àqueles que têm sido constituídos por Deus. Assim escreveu Calvino: “Se o açoite de Deus testifica de seu amor para conosco, é uma vergonha que o reputemos com desprazer ou ódio. Pois aqueles que não toleram ser castigados por Deus, para sua própria salvação, sim, que rejeitam a prova de sua bondade paternal, sem dúvidas são extremamente ingratos”.

3.3. A questão da tolerância.
Na mensagem enviada à igreja em Tiatira, um grande centro comercial na Ásia Menor, Jesus menciona: obras, amor, serviço, fé, paciência e crescimento (Ap 2.18-29). Contudo, havia um porém: “toleras Jezabel”. Uma expressão que indica “aceitar sem reagir”. Havia a tendência de admitir modos de pensar, agir e sentir que diferem da sã doutrina. Não estavam exercendo a disciplina. Uma das lições que podemos extrair dessa mensagem é que amar não significa aceitar tudo. O amor não pode ser usado como escudo para esconder o mal e permitir o pecado.

Paulo repreende a igreja em Corinto por não ter agido no caso do homem que abusou “da mulher de seu pai” (1Co 5.1-13). A igreja de Corinto estava tolerando a situação. Será que a liderança da igreja local considerava a grandeza da graça divina para não agir? Ou estavam sendo influenciados pelo gnosticismo e achavam que o pecado cometido no corpo não afeta o espírito? Tais pensamentos revelam um entendimento da doutrina do pecado e da graça equivocado e distorcido.

Conclusão.
Disciplina faz parte do tratamento de Deus para com aquele que Ele ama e adotou como Seu filho. Não rejeitemos, pois, nem a autodisciplina, nem a disciplina de Deus, seja diretamente ou por intermédio da Igreja. É para o nosso bem e aperfeiçoamento (Pv 12.1).


Questionário.

1. Por intermédio da correção e instrução, o que vai sendo aplicado em nós?
R: O processo educacional de Deus (2Tm 3.16; Hb 12.11).

2. De quem é a Igreja?
R: De Deus (At 20.28; 1Pe 2.9-10).

3. Quem primeiro tratou sobre a igreja lidar com a aplicação da disciplina?
R: Jesus Cristo (Mt 18.15-19).

4. Qual expressão Jesus usou ao instruir sobre como lidar com o pecado de um irmão, que retrata bem o objetivo da disciplina?
R: “Ganhaste a teu irmão” (Mt 18.15).

5. O que não pode ser usado como escudo para esconder o mal e permitir o pecado?
R: O amor (Ap 2.18-29).


Fonte: Revista de Escola Bíblica Dominical, Betel, Aperfeiçoamento Cristão – Propósito de Deus para o discípulo de Cristo. Adultos, edição do professor, Comentarista Pastor Marcos Sant’Anna da Silva 2º trimestre de 2018, ano 28, Nº 107, publicação trimestral, ISSN 2448-184X.

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