segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Na Encruzilhada com Deus

Quem era Jacó? Jacó era crente. Filho e neto de crente, descendente da tríplice aliança patriarcal. Porém um homem que levou mais da metade de sua vida, para entender os princípios divinos. Isaque seu pai, após casar-se com Rebeca, percebeu que ela era estéril, e quase que instantaneamente orou ao Senhor para que sua madre fosse aberta (talvez tivesse ficado sabendo do sofrimento de seus pais com o mesmo problema), e teve sua oração respondida.

Uma dupla benção alcançou-os, pois logo perceberam que duas crianças estavam à caminho. O problema foi que essas crianças transformaram o ventre de sara, num “ringue de boxe”: “E os filhos lutavam dentro dela…” (Gen.25:22a), o que a levou a perguntar a Deus o que era aquilo.

UMA ESTRANHA PROMESSA
Algo que causou profunda estranheza em Isaque e Rebeca, foi a promessa que Deus fez, estando as crianças ainda em gestação: “…e o maior servirá ao menor” (Gen.25:23). Qualquer pessoa daquele tempo sabia que o filho mais velho era o herdeiro natural do pai quanto as benesses da família, cabendo aos filhos mais novos obediência e submissão ao mais velho, mais aqui, Deus surpreende e inverte a ordem.
Por que Deus faz isso, não me pergunte, pois é impossível explicar essas escolhas divinas, apenas aceitá-la, afinal, depois que as crianças nasceram, mais confundido se podia ficar, pois enquanto o mais velho sempre revelou uma vocação incomum para o campo, algo extremamente necessário para um líder, o mais novo Jacó, sempre foi mais doméstico, ligado a sua mãe.

Quando “soa o gongo final”, da luta de ringue, nasce as duas crianças, dando a ligeira impressão que Esaú o mais velho levaria vantagem sobre Jacó, nascendo primeiro, mas o segundo mostrando uma persistência incomum, nasce, com a mão agarrada à seu calcanhar. A guerra estava apenas começando.

Jacó nasceu com a promessa que seria o herdeiro natural do seu pai Isaque: “…e o maior servirá ao menor”, por isso, não dá para entender o por que ele passou quase que uma vida inteira lutando por algo que mais cedo ou mais tarde cairia em suas mãos, era só descansar confiante que Deus cumpriria sua promessa, não precisava nem correr atrás.
Isso é um fiel retrato de pessoas que estão na igreja hoje, tentando “dar uma mãozinha a Deus”. Deus não precisa da sua ajuda para cumprir suas promessas, o que você tem feito é atrasar o processo do trabalhar divino. Descanse, sabendo que Ele é fiel em cumprir suas promessas, ainda que lhe pareça tardio.

UMA VIDA DE ENGANOS
Jacó, desde pequeno se mostrou um “hábil” negociador. Ninguém escapava de seus negócios escusos. Veremos mais a frente que até com Deus ele tentou negociar.

A vida se encarregou de separar os dois irmãos, pelo objetivo comum que tinham: o direito à primogenitura. Enquanto Esaú o mais velho crescia uma criança tranqüila, dado à caça no campo (um caipirão), Jacó era um garoto caseiro (um mimado mauricinho).
Talvez por isso, Jacó tenha herdado da mãe o gene da trapaça, pois foi ela quem tramou a falcatrua do engano no velho Isaque, como veremos mais à frente.

O primeiro engano de Jacó foi “um momento especial” para ele. Viu seu irmão sair para a caça, e resolveu apanhá-lo pelo estômago. Ficou a espreita com apenas a fumaça de um saboroso guisado de lentilhas, exatamente no caminho que Esaú passaria.

O simples pedido de seu irmão por um bocado de comida, foi o suficiente para Jacó colocar em prática seu plano de ação: “…Vende-me hoje a tua primogenitura” (Gen.25:31).
A proposta era simples, Jacó trocaria a comida pela primogenitura de Esaú.

O que poderia ser apenas uma brincadeira infantil (lembra-se quando criança de trocar figurinhas de álbuns com amiguinhos?), foi levado a sério pelo mundo espiritual, e não tratado como uma brincadeira, mas como uma profanação (Heb.12:16).

O destino estava traçado, enquanto Esaú continuaria com suas caçadas vespertinas, esperando o momento que Isaque seu pai lhe passaria a braçadeira de capitão, Jacó continuaria com sua vidinha familiar, aplicando seus golpezinhos, até que quem sabe assumisse a herança paterna.
O que talvez nenhum dos dois contasse, é que os céus levaram a sério o negócio fechado entre eles. Anjos foram testemunhas daquele momento trágico em que Esaú rejeitou a benção, transferindo-a impreterivelmente para Jacó.

DIREITOS DIVINOS X DIREITOS HUMANOS
Cabe aqui uma ressalva quanto a escolha divina. É difícil para nossa mente humana entender o por que Deus fez isso: Escolheu o mais novo ao invés do mais velho, escolheu um trapaceiro no lugar de um equilibrado. Uma escolha já traçada do ventre materno, pois antes mesmo que os dois nascessem Deus já havia feito sua escolha pessoal: “…Não foi Esaú irmão de Jacó? – disse o Senhor: todavia, amei a Jacó e aborreci a Esaú…” (Mal.1:2e3). Como podemos explicar que no ventre materno, Deus já havia amado um e se aborrecido de outro? Só podemos entender isto pela vontade soberana do Senhor. Coisas de Deus não se questionam, se aceitam.

Não estou com isso fazendo apologia da predestinação, que para mim, é uma farsa, estou apenas defendendo um direito divino de escolha para bênçãos específicas.

Se Deus não tivesse o direito de fazer estas coisas, não seria Deus. Seria apenas alguém refém do homem no tocante às premissas espirituais, um belo mordomo às nossas ordens. Ainda que Deus respeite o livre arbítrio do homem, está explicitado na Bíblia que os caminhos e pensamentos (é no plural mesmo) de Deus são mais elevados que os caminhos e pensamentos humanos (Is.55:9). É difícil de aceitar, mas se entendermos que Deus está no controle da situação, é melhor deixar com Ele, Ele sabe como fazer.

O MOMENTO FATAL
Chegamos ao momento decisivo do engano maior de Jacó, que influenciaria sua vida para sempre. Alertado pela mãe Rebeca que o pai Isaque havia feito um simples pedido à Esaú de um saboroso guisado (Jacó entendia de culinária, já tinha enganado o irmão uma vez com isso, e poderia usar o artifício de novo, agora com seu pai), para dar a seu irmão a primogenitura, os dois, mãe e filho, tramaram juntos um meio de tomar de Esaú a benção.

Enquanto Esaú saiu à caçada, Jacó preferiu os meios domésticos que era seu “habitat” comum. Preparou com a ajuda da mãe um cabrito, e levou-o ao pai, esperando a benção, aproveitando-se da cegueira de Isaque, e levou a primogenitura no lugar do irmão.
Tão logo acabou de sair, chega o irmão, esbaforido com a caça, preparando-a rapidamente, talvez quase não se agüentando de ansiedade, pelo momento especial que assumiria a condição de chefe maior da grande família, e receberia assim a tríplice aliança patriarcal.

Um dos nomes de Deus mais comum, autoproclamado por Ele mesmo é: “Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó”, uma bela referência pessoal de Deus. Imaginemos se fosse ao contrário: “Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Esaú”, parece que não soaria tão bem…

Após enganar o pai e o irmão, atraindo sobre si a fúria de Esaú, Jacó é aconselhado a fugir, e sob o pretexto de buscar uma mulher fora de suas cercanias (mais um embuste de Rebeca, que considerou as moças locais como vulgares e enfadonhas – Será que eram mesmo?) (Gen.27:46), vai a Padã Arã, tentar a vida.

BANALIZANDO UM MOMENTO ESPECIAL
No caminho, ele tem um momento especial com Deus. Pela primeira vez na vida defronta-se com a divindade, algo que era comum ao seu avo Abraão e ao seu pai Isaque: Aparições teofânicas. Era só erigir um altar, e lá vinha Deus pessoalmente falar com eles.
Para Jacó era uma experiência nova, um contato maior com o Senhor de toda glória. Um momento assim, que poderia servir como marco para Jacó, em que ele vê os céus abertos, vê anjos descendo, vê uma escada da terra aos céus, e vê o próprio Deus no topo da escada, deveria ser um momento de triunfal adoração, um momento único na vida de qualquer ser humano.

Porém, nosso Jacozinho, vai na direção contrária, pois se aproveita desse momento, para negociar com o criador: “E Jacó fez um voto dizendo: Se Deus for comigo, e me guardar nessa viagem que faço, e me der pão para comer, e vestidos para vestir, e eu em paz tornar à casa de meu pai, o Senhor será meu Deus, e, de tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo”(Gen.28:20e21).

O voto de Jacó não era condizente com a realidade vivida, por que ter o Senhor como Deus, era a única opção que ele tinha, e dar o dízimo, não é questão de voto, é uma questão de obrigação perante as bênçãos do Senhor. Jacó não se emendava mesmo, era preciso algo bem mais forte, para mudar seus rumos, e esse algo viria na “Encruzilhada com Deus”.

FINALMENTE UM “ADVERSÁRIO” À ALTURA
Jacó tornou-se praticamente imbatível na arte do engano, ninguém era páreo para nosso “Jack”. Enganava com engenhosos artifícios, e seu arsenal de falcatruas era cada dia mais amplo, até que se encontrou com Labão seu sogro, um expert bem mais experiente nessa área.

O que me impressiona é que Labão era seu tio, irmão de Rebeca sua mãe. Será que o engano era um “mal de família”? Labão conseguiu enganar e sobrepujar Jacó pelo menos dez vezes (Gen.31:7), porque para todo Jacó, Deus sempre levanta um Labão.
E foi assim, de engano em engano, que Jacó casou-se com as duas filhas de Labão, recebendo ainda suas respectivas servas como concubinas, tendo doze filhos com elas. A verdade é que ele precisava mais do que nunca de uma restauração completa e total de sua vida, mas como conseguir?

Finalmente, num ato de coragem, ele abandona seu sogro e a terra em que morava, empreendendo viagem à antiga casa dos pais. Imagine seu coração como não vinha pelo caminho? Fugindo do sogro e com um medo terrível de seu irmão lesado, que com certeza, ainda não tinha aplacado sua ira em relação à ele.
Tentando agradar seu irmão, e, desconfiado de que não seria aceito por ele, enviou à frente vários presentes. Dividiu ainda sua família em duas partes, na intenção de pelo menos salvar uma parte se fosse atacado. Assim vinha ele, o peso dos seus pecados, e a dor de uma consciência culpada lhe afligia.

NA ENCRUZILHADA
Alta madrugada, Jacó espera sua família dormir, e pé ante pé, deixa o arraial. Desce até o vau de Jaboque, um rio bastante raso, e sozinho o atravessa, e começa afligir sua angustiada alma, numa oração dolorida a Deus. Foi nesse momento que sente alguém lhe tocar, mal tem tempo de virar-se, e é agarrado por esse alguém, iniciando uma violenta luta, em que sua própria vida estava em jogo. Quem sabe Jacó não imaginava ser seu próprio irmão? Afinal, no escuro não conseguia divisar ninguém.

O dia começa a raiar, logo o sol com seus benfazejos raios chegará, e Jacó, continua ali, lutando ferozmente com aquele ser, que já dá sinais de que começa a ser “vencido”. “…Não te deixarei ir, se me não abençoares”. Não tinha jeito, era uma batalha encarniçada, da qual Jacó não arredaria pé. “…Qual é o teu nome?”. Que pergunta profunda. Era como se Deus pedisse a Jacó uma confissão, e ao mesmo tempo lhe dissesse: “Você está numa encruzilhada. Até aqui Eu vim, não obstante todos os seus erros, mas agora não dá mais, ou você muda ou lhe deixo, não posso continuar no mesmo caminho que seguiste até agora”.

PS: Encruzilhada é uma rua que em certa altura se divide em duas, uma continua e outra dá uma guinada de 180 graus. Nela se toma uma decisão, ou continua estrada além, ou muda completamente o rumo.
Quando Deus lhe perguntou o nome, Ele queria muito mais que uma simples apresentação pessoal, Ele queria que Jacó apresentasse uma mudança radical (até o nome foi mudado), não dava mais para continuar. E foi ali que Deus transformou radicalmente Jacó.

O QUE ACONTECE NA ENCRUZILHADA?
Pelo menos duas coisas aconteceram à Jacó no vau de Jaboque, o lugar da encruzilhada com Deus:

Mudou seu nome

Foi ali que Jacó deixou de ser Jacó (enganador, suplantador). Foi ali que o próprio Deus lhe colocou por nome Israel (aquele que lute e prevalece). É no Jaboque que deixamos de ter um nome forte humano, e recebemos um nome divino, é nesta bendita encruzilhada que Deus nos revela seu caráter santo e verdadeiro, destituindo-nos de todo o eu ou justiça própria. Quando perdemos nosso nome (identidade própria), recebemos uma identidade divina e espiritual.

Recebeu um sinal

Ali também Deus tocou na juntura da coxa de Jacó, fazendo-o sair mancando da encruzilhada. Jacó agora era manco, não tinha mais a agilidade humana para correr, nem enganar ou trapacear ninguém. É assim que Deus faz conosco também, esse sinal é para nos humilharmos diante Dele e só Dele depender.


Trecho do livro GARIMPANDO DIAMANTES, do Pr. Josias Almeida, a ser lançado dia 08 de junho de 2012. Reserve já o seu pelo email: josiasalmeida33@hotmail.com

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